Guia definitivo sobre a Queda de Cabelo

Saiba tipos, causas, dicas e tratamentos mais poderosos para combater a calvície.

Para entender melhor o problema, consultamos estudos internacionais, sites referência em Dermatologia e Tricologia e experts da área para montar um guia completo sobre a queda de cabelo, suas causas, sintomas e tratamentos

Diariamente, nosso corpo sofre diversas modificações e processos que passam despercebidos até aos olhos mais atentos. Perdemos células, nossa microbiota combate micro-organismos potencialmente patogênicos, o sistema antioxidante está a todo vapor contra radicais livres… E, também, sofremos com a queda diária dos fios de cabelo que, acredite se quiser, caem em centena por dia – e isso é considerado normal, até porque eles crescem de volta. Como explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, três fases compreendem o ciclo de vida de um fio: anágena (em que ele cresce), catágena (fase de regressão em que o cabelo morre) e telógena (quando o fio novo ‘empurra’ o fio morto e esse cai). “Portanto, para um fio novo nascer, um velho deve morrer”, afirma a dermatologista.

No entanto, algumas mulheres e muitos homens perdem cabelo conforme vão envelhecendo por um problema genético (alopecia androgenética). Essa é a principal causa da queda capilar no mundo, afetando metade dos homens a partir dos 40 anos e 75% das mulheres com mais 65 anos. Mas essa manifestação de queda capilar também pode começar a dar sinais bem antes, sendo que ela tecnicamente começa a se desenvolver na adolescência, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), por conta dos níveis hormonais.

De acordo com o Medline Plus, a maior biblioteca médica online do mundo e produzida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, há outras razões para a queda acentuada dos fios, dentre as quais certas doenças como problemas de tireoide, diabetes ou lúpus. “Se você toma certos medicamentos ou faz tratamento quimioterápico contra o câncer, você também pode perder o cabelo. Outras causas são estresse, dieta pobre em proteínas, histórico familiar ou má nutrição”, diz o site. Períodos pós-gestacionais, menopausa e transtorno alimentar também estão incluídos nas possíveis motivações da queda dos fios.

Felizmente, a maioria das causas de perda de cabelo pode ser interrompida ou tratada. Qualquer pessoa que tenha problemas com a queda de cabelo deve procurar um dermatologista ou tricologista, que são os médicos que poderão diagnosticar o problema de maneira eficiente e indicar o melhor tratamento.

Queda de cabelo o que pode ser

Milhões de pessoas sofrem com a perda dos fios de cabelo, que pode apresentar falhas ou ficar mais “ralo”, fino e sem volume. Dependendo do tipo de queda, algumas veem seus cabelos crescerem novamente sem fazer nada, enquanto outras precisarão de tratamento para recuperar o crescimento dos fios. E, em alguns casos, o cabelo simplesmente não irá crescer novamente.

Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), são quatro os principais tipos de queda de cabelo:

Calvície hereditária (alopecia androgenética)

É uma manifestação fisiológica que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos levando à queda dos cabelos, que sofrem um processo de miniaturização, ou seja, cada vez ficam mais finos e menores. A herança genética pode vir do lado paterno ou materno. “A alopecia androgenética é resultado da estimulação dos folículos pilosos (estrutura presente na pele capaz de produzir um pelo) por hormônios masculinos que começam a ser produzidos na adolescência (testosterona). Ao atingir o couro cabeludo de pacientes com tendência genética para a calvície, a testosterona sofre a ação de uma enzima, a 5-alfa-redutase, e é transformada em di-hidrotestosterona (DHT). É a DHT que vai agir sobre os folículos pilosos promovendo a sua diminuição progressiva a cada ciclo de crescimento dos cabelos, que vão se tornando menores e mais finos.

O resultado final deste processo de diminuição e afinamento dos fios de cabelo é a calvície”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Esta é a causa mais comum de perda de cabelos e afeta homens e mulheres, mas de maneiras distintas: enquanto a calvície masculina é caracterizada pela ausência de cabelos na parte superior e frontal da cabeça, poupando as áreas laterais e posterior, as mulheres também podem ser atingidas, porém só muito raramente chegam à calvície total e, em geral, apresentam um quadro de rarefação difusa dos pelos que também se tornam mais finos.

Alopecia areata:

Pesquisadores acreditam que esta é uma doença autoimune, de acordo com National Institutes of Health, parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Ou seja, o sistema imunológico, que normalmente ajuda a proteger seu corpo contra doenças, começa a atacar os folículos pilosos. Normalmente, apenas pequenos pedaços de cabelo no couro cabeludo são perdidos. “O resultado dessa queda dos fios é a formação de placas sem cabelo no couro cabeludo”, afirma a dermatologista e tricologista Dra. Kédima Nassif, membro da SBD e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. A perda de cabelo pode não ser permanente, porque os folículos pilosos não são destruídos, mas sim “presos” em um estado de repouso. Dos que sofrem com o problema, a maioria vê o cabelo crescer novamente, com a ajuda do tratamento. No site da National Alopecia Areata Foundation (https://www.naaf.org/), há dicas e conselhos para mulheres e homens – como aplicar maquiagem e cuidar de apliques sintéticos e naturais – que são úteis para pessoas que têm alopecia areata.

Alopecia cicatricial:

É uma doença rara que se desenvolve em pessoas saudáveis. Como a doença ataca e destrói os folículos capilares, um tecido cicatricial se forma onde os folículos estavam, então o cabelo não pode crescer novamente. O tratamento visa parar a inflamação, que destrói os folículos pilosos.

“Existem causas primárias e secundárias para esse tipo de alopecia. As causas primárias são: doenças autoimunes, processos infecciosos e inflamatórios intrínsecos (exemplo lúpus eritematoso discoide); já as causas secundárias são processos externos que atacam o couro cabeludo, como traumas, radiação, processos químicos e infecções”, afirma a Dra. Mabe Gouveia, tricologista membro da International Dermatoscopy Society.

Alopecia cicatricial central:

Este tipo de perda de cabelo ocorre mais frequentemente em mulheres de ascendência africana, começa no centro do couro cabeludo e, na medida em que avança, a perda de cabelo irradia para fora do centro do couro cabeludo, que fica liso e brilhante após ser afetado. 

Existem outros tipos de queda de cabelo, como a alopecia de tração, resultado de uso de apliques e rabos de cavalo apertados, e que podem evoluir para uma alopecia cicatricial. Além disso, é cada vez mais comum nos consultórios médicos uma manifestação chamada eflúvio telógeno.

Eflúvio Telógeno:

é a queda intensa de cabelos que estão na fase telógena. Podem ser várias as causas que determinam o surgimento do eflúvio telógeno, como: pós-parto, interrupção do uso de pílulas anticoncepcionais ou de reposição hormonal, infecções e doenças acompanhadas de febre alta, traumas físicos e/ou emocionais, pós-operatório, doenças da tireoide, deficiências nutricionais (ferro, zinco e proteínas) ou dietas muito restritivas (com ou sem medicamentos). “Geralmente a queda de cabelos se inicia 2 a 4 meses após o fator desencadeante, por exemplo, após o parto, uma das causas mais frequentes.

A queda pode ser bastante intensa, assustando o paciente que se vê diante de um grande número de fios de cabelos soltos após penteá-los, durante a lavagem ou no travesseiro, ao acordar pela manhã”, afirma a Dra. Flávia Betini membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology. No geral, essa queda se resolve espontaneamente em 3 a 6 meses. Se persistir por um período maior do que esse, algum fator não diagnosticado pode estar mantendo o eflúvio ativo.

Outras situações que podem causar a perda de cabelo

A alopecia androgenética é geneticamente determinada, enquanto as alopecias areata e cicatricial tem relação com doenças autoimunes e processos intrínsecos. No entanto, o eflúvio telógeno e outros tipos de queda têm diversas causas, que precisam ser esmiuçadas (afinal, algumas podem ser evitadas):

Hormonal após gestação:

Durante a gravidez o corpo passa a produzir mais estrogênio, hormônio sexual feminino, e isso influencia diretamente na saúde capilar, fazendo com que os fios fiquem mais bonitos, brilhantes e volumosos. “Isso ocorre por que os hormônios gestacionais fazem com que os fios capilares permaneçam mais tempo na fase anágena, que é a fase de crescimento dos fios, e menos na fase telógena, de queda, diminuindo assim o percentual de queda dos cabelos”, explica a Dra. Cássia Coelho, dermatologista e tricologista, membro da American Hair Society.

O problema é que após o parto ocorre uma baixa nos níveis destes hormônios gestacionais que, junto com o próprio estresse da gestação, faz com que todos os fios que estavam na fase anágena passem para a fase telógena e, consequentemente, caiam.

Esta queda acentuada dos cabelos recebe o nome de eflúvio telógeno pós-parto e as mulheres, que enquanto gestantes perdiam cerca de 50 fios por dia, passam a ter até 500 fios de cabelo caindo todos os dias.

Hormonal na menopausa:

A menopausa gera um grande impacto nos cabelos, tanto na sua quantidade, quanto em sua qualidade. “Os fios se tornam mais finos, mais ásperos e sem brilho enquanto a densidade capilar sofre uma diminuição de 20%, segundo estudo realizado com a população chinesa em 2015”, explica a dermatologista e tricologista Dra. Kédima Nassif.

O grande culpado por tais mudanças, além do envelhecimento celular, é a queda hormonal dessa fase, principalmente do hormônio estrógeno. “Na menopausa, as células da raiz do pelo reduzem sua taxa de multiplicação, resultando em menor quantidade de células compondo o cabelo (ou seja, fio mais fino) e no encurtamento da fase de crescimento capilar.

Além disso, algumas raízes capilares param de produzir a haste capilar”, destaca a tricologista.

Por estresse:

A experiência de um evento traumático (por exemplo, morte de um ente querido ou divórcio) pode causar queda de cabelo. Estima-se que o aumento do cortisol (hormônio do estresse) por um longo período de tempo esteja especialmente envolvido nesse processo, uma vez que ele aumenta quadros de inflamação que dificultam o crescimento dos fios.

Em tratamentos de radio ou quimioterapia:

Ao contrário do que muitos pensam, a quimioterapia não é um tratamento único e sim um conjunto de medicamentos que diferem entre si, possuindo então finalidades específicas e efeitos colaterais distintos.

Entre estes efeitos colaterais, um dos mais comuns e que mais causa aflição aos pacientes é a queda capilar. “A queda capilar ocorre devido ao fato de os medicamentos quimioterápicos agirem atacando as células que crescem e se multiplicam mais rapidamente, sendo elas cancerígenas ou não. Logo, como os folículos pilosos também apresentam alto grau de multiplicação, a medicação pode agir sobre os fios do couro cabeludo e de outras regiões, causando a queda”, explica a tricologista Dra. Mabe.

Porém, existem meios de prevenir ou ao menos diminuir a queda capilar causada pela quimioterapia, sendo que o mais comum é a técnica conhecida como crioterapia ou scalp cooling, que consiste em uma espécie de touca térmica revestida em gel que resfria o couro cabeludo a uma temperatura próxima a 4º celsius, assim reduzindo a queda. “O organismo reage ao resfriamento da região, diminuindo o fluxo sanguíneo, o que limita a agressão dos medicamentos quimioterápicos na área e, consequentemente, atenua a queda dos fios”, afirma a tricologista.

A radioterapia também ataca rapidamente as células em crescimento em seu corpo, mas ao contrário da quimioterapia, afeta apenas a área específica onde o tratamento está concentrado. E, se for na cabeça, você provavelmente perderá cabelo. Uma forma de lidar com o problema é usando perucas ou, segundo o National Cancer Institute (dos Estados Unidos), tentar usar lenços e brincos divertidos – ou boné, de vez em quando. Isso ajuda a recuperar a autoestima.

“Fale com seu médico ou enfermeiro, que compartilhará estratégias que ajudaram outras pessoas”, diz o site.

Após perda acentuada de peso:

Algumas pessoas sofrem com a queda capilar de três a seis meses após perder mais de 15 quilos. Considerado comum, esse tipo de perda não costuma comprometer a aparência após esse período, pois os cabelos tendem a crescer novamente sem ajuda.

Por transtornos alimentares:

Existem pesquisas e relatos, segundo o AAD, de que pacientes com anorexia e bulimia sofrem mais com perda de cabelo. Isso tem relação com uma lacuna nutricional na dieta.

Por consumo exagerado de Vitamina A:

A ingestão demasiada da vitamina A pode causar perda de cabelo. Então é necessário dosar isso na alimentação e, uma vez que o corpo deixa de consumir muita vitamina A, o crescimento normal do cabelo é retomado.

Carências nutricionais de proteína e ferro na dieta:

Quando o corpo não obtém proteína suficiente, raciona a proteína que recebe.

Uma maneira pela qual o corpo pode racionar a proteína é interromper o crescimento do cabelo. “Os fios de cabelo e os folículos que os sustentam são feitos pelas proteínas, por isso, elas são responsáveis por mantê-los saudável e em constante crescimento.

Dessa forma, quando ocorre falta dessas moléculas o cabelo fica bastante fragilizado. Essa é uma das razões pelas quais os cabelos de pessoas que fazem dietas contendo baixo teor proteico tendem a crescer lentamente. E, em casos extremos, pode ocorrer queda dos fios constantemente”, afirma o nutricionista Breno Lozi, pós-graduado em Nutrição Clínica e Desportiva. Cerca de 2 a 3 meses depois de uma pessoa não comer proteína suficiente, é possível observar a queda de cabelo.

Comer mais proteína irá frear essa perda. Carnes, ovos e peixes são boas fontes de proteína. Os vegetarianos podem obter mais proteína adicionando nozes, sementes e feijões à sua dieta.

A falta de ferro também pode levar à perda de cabelo. Boas fontes vegetarianas de ferro são cereais fortificados com ferro, soja, sementes de abóbora, feijão branco, lentilha e espinafre. Ostras e carnes encabeçam a lista de boas fontes animais de ferro.

Tabagismo:

Alguns estudos mostram uma associação entre tabagismo e calvície em homens. A relação é que o cigarro prejudica a circulação sanguínea, então o aporte de nutrientes ao couro cabeludo é comprometido, afetando o crescimento normal dos fios.

Penteados e processos químicos:

Prender o cabelo com rabo de cavalo muito apertado ou uma trança muito forte pode causar a alopecia de tração; da mesma forma, tome cuidado com processos químicos (alisamentos, coloração e descoloração) em excesso, pois podem comprometer a saúde do couro cabeludo e afetar o crescimento dos fios. Isso ocorre principalmente se tratamentos diferentes forem feitos em períodos muito próximos.

“A química pode agravar a queda sim, uma vez que ocorre um processo de desproteinização dos cabelos, levando a um corte químico, a uma clivagem, um processo de ruptura das fibras e uma agressão da cutícula, do córtex e da medula capilar.

Quando fazemos escovas progressivas, balaiagem, uso de tinturas, sempre estamos agredindo a estrutura capilar de alguma maneira. Se o cabelo já está em uma fase de queda, isso deve ser evitado até que o quadro seja controlado”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal.

Como vimos, são várias as causas de queda capilar, mas em todas é necessário buscar ajuda do dermatologista ou tricologista, justamente porque o tratamento varia de acordo com a causa.

Investigação Dermatológica

Se você ligar os pontos (“são várias as causas da queda capilar” e “o tratamento varia de acordo com a causa”), deve estar se perguntando: como os dermatologistas fazem para diagnosticar a perda de cabelo? Nesse caso, o médico age como um verdadeiro detetive, fazendo perguntas e uma investigação apurada, de forma que o paciente deve ser fiel à realidade. “O dermatologista vai querer saber se a queda de cabelo aconteceu repentina ou gradualmente. Saber disso ajuda a eliminar causas. O dermatologista também perguntará quais medicamentos você toma, quais alergias você tem e se está fazendo dieta. É importante dar ao médico informações precisas. Como em um mistério de assassinato, a menor pista pode resolver o caso”, alerta o site da Academia Americana de Dermatologia. As mulheres podem ser questionadas sobre seus períodos menstruais, gestações e menopausa.

A investigação não para nas perguntas. O dermatologista ou tricologista também examinará cuidadosamente o couro cabeludo e o cabelo. Durante um exame, ele pode puxar o cabelo e, às vezes, tirar um fio para obter as provas necessárias. E às vezes o médico precisa olhar os pelos do resto do corpo para ver se há poucos ou muitos fios em outras áreas. “O diagnóstico pode ser feito após a averiguação clínica desse paciente com dosagens laboratoriais, com exame tricológico para saber em que fase os fios estão (anágena, telógena, catagena), e fazendo ao mesmo tempo a biópsia do couro cabeludo para confirmar se esse paciente é portador da calvície de padrão familiar e hereditário. Então, o tratamento vai ser caso a caso e sempre o dermatologista especialista que vai escolher a melhor conduta”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal.

FIQUE ATENTO AOS SINAIS E SINTOMAS

Segundo as dermatologistas, a preocupação com a queda deve ser um alerta se as hastes se desprendem espontaneamente, em número igual ou maior que 100, se ocorre uma perda de densidade e proteinização dos fios, se o volume capilar diminuir acentuadamente, se a queda persistir por tempo acima de sessenta dias ou ainda se começar a surgir falhas. Os principais sinais e sintomas de perda de cabelo podem incluir:

Diluição gradual no topo da cabeça:

Afetando homens e mulheres à medida que envelhecem, esse tipo de queda é comum. Nos homens, aparecem as famosas “entradas”, quando os cabelos começam a recuar da testa em uma linha que lembra a letra M. Já nas mulheres, isso fica mais claro quando o cabelo é amarrado e percebe-se uma diminuição de seu volume.

Manchas no couro cabeludo:

Em crianças, e também mais raramente em adultos, pode haver o quadro de Tinha (Tinea capitis) ou micose do couro cabeludo. “A lesão é localizada, com placas descamativas e perda dos cabelos nessa região afetada. É contagioso e deve ser tratado”, afirma a Dra. Paola Pomerantzeff. Fique atento, porque ela pode causar prurido, descamação e alopecia localizada na placa acometida.

Afrouxamento repentino de cabelos:

Ao pentear ou lavar os cabelos, um punhado de fios pode se desprender; isso geralmente provoca o enfraquecimento geral do cabelo.

Perda de fios pelo corpo todo:

Algumas condições e tratamentos médicos, como a quimioterapia para o câncer, podem resultar na perda de fios em todo o corpo.

Coceira intensa, dor e queimação:

Esses são sintomas comuns da alopecia cicatricial e indicam que você precisa procurar um médico.

Tratamentos queda de cabelo

Como a causa mais comum é a genética, fica difícil falar em prevenção – mas isso não deve desencorajar ninguém, afinal há muita coisa a ser feita a fim de tornar o problema o mais imperceptível possível. Atualmente, alguns testes genéticos podem identificar pacientes que têm maior risco de desenvolver a doença – e isso é positivo para estimular os folículos pilosos antes que os sintomas apareçam e evitar alguns suplementos de hormônios masculinos. 

Apesar do número cada vez maior de ativos dermocosméticos, dispositivos eletrônicos e lasers, três tratamentos são aprovados pelo FDA (Food And Drug Administration) para combater o problema da queda capilar em casa: Minoxidil (medicação tópica), Finasterida (Medicação Oral) e Low Light Level Therapy (LLLT) ou terapia de luz de baixa potência ou ainda fotobiomodulação, que está disponível em equipamentos como o Capellux e Capellux i9. No geral, os tratamentos baseiam-se em estimulantes do crescimento dos fios e aumento da oxigenação local e aporte de nutrientes (como o Minoxidil e LLLT) e em bloqueadores hormonais (como a Finasterida para homens e anticoncepcionais e Espironolactona em mulheres).

Minoxidil:

Geralmente encontrado em farmácias de manipulação na concentração de 5%, o Minoxidil deve ser aplicado de maneira tópica no couro cabeludo. “O medicamento promove o aumento da circulação sanguínea do couro cabelo com consequente melhora na oxigenação da região. Com isso, há a prolongação da fase anágena, ou seja, a fase de crescimento dos fios, que passam a nascer mais fortes e saudáveis”, explica a dermatologista e tricologista Dra. Kédima Nassif. O medicamento pode ser combinado com outros ativos antiqueda como cafeína, latanoprosta, fatores de crescimento e extratos botânicos a fim de melhorar sua performance.

LLLT:

Dispositivos a laser como capacetes e bonés portáteis que emitem luz laser podem estimular o crescimento do cabelo. “Equipamentos como Capellux (boné) e Capellux i9 (capacete) trabalham com a luz vermelha, que fornece energia na medida em que a estrutura celular localizada nas membranas da mitocôndria é estimulada a produzir mais ATP nas células. Com mais energia e nutrientes, as células operam em condições otimizadas no desempenho de suas funções, o que promove um aumento da quantidade e volume dos fios, que também ficam mais grossos”, explica o angiologista Dr. Álvaro Pereira de Oliveira. “Além disso, as substâncias liberadas após a irradiação da luz (ATP, óxido nítrico e fatores de crescimento) se espalham para as regiões vizinhas, estimulando os folículos mais fracos a produzirem mais queratina, inibindo a queda, acelerando o crescimento, melhorando a espessura, qualidade, força e brilho dos cabelos”, acrescenta. O melhor ainda é a praticidade: apenas 12 minutos diários (com o boné Capellux) ou sete minutos por dia (com o capacete Capellux i9) são suficientes.

Finasterida:

É um medicamento oral destinado a inibir a queda capilar e recuperar algumas áreas que já sofreram rarefação (esvaziamento de fios). “Ela tem como mecanismo de ação a diminuição do efeito da enzima 5-alfa-redutase (que é responsável por converter o hormônio testosterona em di-hidrotestosterona ou DHT) e, através do seu bloqueio ou diminuição de ação, não ocorre essa conversão, que é a causa principal de queda de cabelo de padrão masculino”, afirma a tricologista Dra. Mabe Gouveia. “A Finasterida baixa os níveis de DHT e, desta maneira, ajuda a reverter o processo da calvície, levando ao aumento do crescimento capilar e à prevenção de perdas adicionais de cabelo”, acrescenta a médica. A FDA aprovou este medicamento para tratar homens com perda de cabelo. Ele vem em forma de pílula e ajuda a retardar a perda de cabelo na maioria (cerca de 88%) dos homens. 

É importante dizer que, após a prescrição do dermatologista, é necessário seguir religiosamente o tratamento – mesmo se no começo ocorra o efeito contrário do esperado. “Isso recebe o nome de Shedding Hair, com os cabelos caindo demais no começo do tratamento, o que pode assustar muitos pacientes. Shedding Hair significa troca, mudança capilar para uma nova fase. Esse efeito pode acontecer e é aceitável, geralmente ocorrendo no primeiro mês e durando até três meses, principalmente com uso tópico de minoxidil, porque esse medicamento acelera a queda daqueles fios que já iam cair, ou seja, faz com que os fios que estavam em fase catágena (de regressão), e entrariam na fase telógena (de queda) em algum momento futuro, já entrem nessa fase telógena antecipadamente”, explica Mabe Gouveia, médica tricologista membro da International Dermatoscopy Society. O Shedding Hair pode ser causado por qualquer tipo de tratamento capilar, desde a aplicação tópica de produtos (como o Minoxidil), até a ingestão de substâncias e medicamentos orais (finasterida), como também no tratamento com luzes de LED. “Ocorre em 35% dos pacientes em uso de minoxidil. Também é comum modificar o tipo de queda, de forma que o cabelo deixa de cair em mosaico e os fios entram em fase de queda contínua, que é a fase telógena, então todos caem juntos”, acrescenta a tricologista. 

Ainda com relação aos tratamentos, se a causa da queda capilar for alguma inflamação no corpo, ainda é possível que o médico aplique medicamentos corticosteroides no couro cabeludo. Isso pode ajudar a parar a inflamação que acontece quando uma pessoa tem alopecia areata, por exemplo.

Para potencializar o tratamento, alguns cuidados também podem ser tomados, como: nunca dormir com o cabelo molhado (quem não tem outra opção além de lavar à noite deve secar os cabelos antes de dormir); usar shampoos orientados por dermatologistas, já que as pessoas de cabelos mais finos e pouco densos ou oleosos devem usar shampoos que controlem a microbiota do couro cabeludo, e sejam mais botânicos, transparentes, ricos em extratos vegetais e vitaminas; evitar shampoos que sejam muito ricos em lauril sulfato de sódio; usar substâncias do tipo leave-on ou substâncias termoativas para proteger contra a ação do secador ou das próprias chapinhas; e ingerir vitaminas e nutracêuticos orientados pelo médico. “Com relação aos shampoos, temos no mercado muitos produtos para melhorar não só a questão da queda, como também a redensificação, o ganho de proteína, a espessura e o crescimento do fio”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal. Entre os ativos mais importantes que devem estar presentes nos shampoos estão: baicalina, um flavonoide que protege contra o dano oxidativo, retarda o envelhecimento celular e é capaz de promover a proliferação de células endoteliais de microvasos, segundo estudo da Universidade de Turim, na Itália; os germinados de soja e trigo, capazes de aumentar a proliferação celular e estimular o metabolismo das células, com resultados no crescimento capilar segundo estudo publicado no Journal of Applied Biological Chemistry; e a cafeína anidra, que é um ativo de alta capacidade de penetração na pele que possui o mesmo princípio da finasterida ao inibir a enzima 5 α-redutase, responsável pelo afinamento dos fios. Segundo estudos da Universidade de Lubeck, na Alemanha, a cafeína é capaz de acelerar em 25% o crescimento dos cabelos, além de também agir no aumento do volume dos fios, pois previne que as células capilares morram ou entrem em estado de dormência. Os três ativos estão presentes na linha de dermocosméticos capilares Capellux, que conta com quatro produtos: um shampoo para cabelos oleosos, um shampoo para cabelos normais, um condicionador e um tônico.

Tratamentos no consultório médico

No consultório médico, existe uma infinidade de tratamentos que devem ser individualizados de acordo com a necessidade do paciente, levando em consideração o tipo de queda e os fatores responsáveis por causar a doença. As principais opções de tratamentos em consultório incluem lasers, Plasma Rico em Plaquetas (apenas no exterior), intradermoterapia, microagulhamento com ou sem drug delivery e LEDterapia profissional.

Laser ND Yag

Causa microperfurações no couro cabeludo, estimulando o crescimento do bulbo.

PRP

É a terapia regenerativa com plasma rico em plaquetas (PRP), que consiste na injeção de plasma do próprio paciente no couro cabeludo, reativando as células mortas da região com consequente estímulo ao crescimento dos fios. Apesar de ser muito comentado, o PRP ainda não está disponível no Brasil. 

Intradermoterapia

É a injeção de substâncias como vitaminas, fatores de crescimento e inibidores da enzima causadora da queda (5-alfa-redutase) diretamente no couro cabeludo, visando tornar os cabelos mais fortes e saudáveis. 

Microagulhamento

Microagulhas de equipamentos ou o próprio roller promovem microlesões na pele do couro cabeludo e causam uma liberação de substâncias responsáveis por ativar a multiplicação de células da pele e das raízes dos cabelos, promovendo a cicatrização local. Esse estímulo à multiplicação celular, quando age na raiz do cabelo, resulta em mais células sendo produzidas no bulbo capilar, o que engrossa o cabelo e favorece seu nascimento e crescimento.

Drug delivery

Após lasers e microagulhamento, em combinação, pode ser feito o drug delivery, que é a aplicação de substâncias diretamente no couro cabeludo após as microperfurações, de forma que os ativos aproveitam os canais de entrada para atuar de maneira mais profunda.

LEDterapia profissional

Equipamentos que promovem o aumento da circulação sanguínea local, melhorando a permeabilidade da membrana plasmática e, consequentemente, a absorção desses ativos e medicamentos previamente aplicados. Hoje, inclusive, já existe um equipamento baseado em LEDterapia especialmente desenvolvido para ser utilizado em consultório: o capacete I9 Profissional, da Cosmedical, que oferece esses benefícios em um tratamento completamente indolor. “O aparelho conta com 204 LEDs que trabalham na potência máxima para efeitos de ledterapia, agindo através da emissão de luz vermelha e infravermelha para colaborar com a nutrição e saúde dos folículos”, explica o angiologista Dr. Álvaro Pereira de Oliveira. “Além de irradiar a dose máxima de energia permitida em cada sessão e aumentar a absorção de ativos pelo couro cabeludo, o I9 Profissional é o único que conta com a exclusiva tecnologia Flextooth, com LEDs especiais em formato de pequenos dentes retráteis que ultrapassam a barreira do cabelo e entregam a luz diretamente no couro cabeludo, garantindo assim ainda mais rapidez e efetividade no tratamento, já que irradiam tanto as áreas com perda de cabelos como as áreas normais.”

Por fim, alguns pacientes optam pelo transplante capilar, operação que deve ser realizada em nível ambulatorial, com sedação leve (opcional) e anestesia local injetada. Existem várias técnicas em que os folículos pilosos são removidos de uma parte do couro cabeludo (onde o cabelo é mais denso) e transplantado para a área de tratamento, sendo que geralmente o procedimento tem alta taxa de sucesso, desde que haja cabelo suficiente para doação, segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Dermatológica (ASDS).

Seja qual for a conduta para tratar a queda capilar, é importante que a automedicação seja evitada e o médico seja consultado, para que, com isso, a eficácia do tratamento não passe despercebida, os cabelos voltem a crescer e haja um impacto positivo na autoestima do paciente.

FONTES:

  • DR. ÁLVARO PEREIRA DE OLIVEIRA: angiologista e cirurgião vascular.
  • BRENO DA SILVA LOZI: Nutricionista CRN9 – 14988, Bacharel em Nutrição pelo Centro Universitário – UNIFAMINAS – Muriaé/MG, Pós-Graduado em Nutrição Clínica e Desportiva pelo Instituto Educacional São Pedro (IESPe) – Juiz de Fora/MG, Professor de Nutrição e Dietética no Centro de Ensino Enf-Ciência – Carangola/MG
  • DRA. CÁSSIA COELHO: Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis (FASE); Membro Titular da Sociedade Brasileira Dermatologia e Cirurgia Dermatológica; Especialização em tricologia pela Faculdade de Mogi das Cruzes (SP), Membro da American Hair Society (NAHRS), Membro da Sociedade de Tricologia, professora de Tricologia do curso de Pós-Graduação em Dermatologia da Policlínica do Rio de Janeiro.
  • DRA. CLAUDIA MARÇAL: É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.
  • DRA. KÉDIMA NASSIF: Dermatologista e Tricologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, possui Residência Médica em Dermatologia também pela UFMG; realizou complementação em Tricologia (Grupo Dra. Aline Donati), transplante capilar pela FMABC e em Cosmiatria e Laser (Grupo Dra. Bruna Bravo Félix) pela FMABC. Além disso, atuou como voluntária no ensino de Tricologia no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo. www.kedimanassif.com.br 
  • DRA. MABE GOUVEIA: Dermatologista e tricologista da Clínica Valéria Marcondes. Graduada em Medicina pelas Universidade de Uberaba, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica e Membro da International Dermatoscopy Society. 
  • DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/

WEBGRAFIA:

  • https://medlineplus.gov/hairloss.html
  • https://www.aad.org/public/diseases/hair-and-scalp-problems/hair-loss#treatment 
  • https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/side-effects/hair-loss
  • https://newsinhealth.nih.gov/2017/08/missing-strands
  • https://www.sbd.org.br/dermatologia/cabelo/doencas-e-problemas/alopecia-androgenetica/25/
  • https://www.niams.nih.gov/health-topics/cicatricial-alopeciahrits 
  • National Institute of Arthritis and Skin Deseases
  • https://www.naaf.org/


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