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Frequentemente notamos queda de cabelo em crianças pequenas ou adultos. No entanto, é comum que aconteça a queda de cabelo em adolescentes. Quando isso ocorre, a queda de cabelo pode causar uma redução na autoestima, na confiança e na vida social.
Se você é um adolescente (ou pai de) lendo isto e nota sinais de queda de cabelo, você não está sozinho. Há uma população crescente de meninos e meninas com idades entre 12 e 19 anos que compartilham suas preocupações, e há uma variedade de causas e tratamentos.
O que você vai encontrar neste artigo:
TogglePara um adolescente, perder cabelo não é apenas um problema estético. Pode afetar autoestima, socialização, escola, namoro, esportes, fotos, redes sociais e sensação de pertencimento.
Por isso, frases como “é só cabelo”, “vai passar” ou “para de mexer nisso” podem soar pequenas para os adultos, mas enormes para quem está vivendo o problema. O adolescente pode evitar piscina, prender o cabelo para esconder falhas, fugir de fotos ou passar horas comparando a própria aparência nas redes.
O tratamento precisa considerar esse impacto. Diagnóstico correto, explicação clara, plano realista e acompanhamento reduzem ansiedade. Quando há sofrimento intenso, isolamento, compulsão por checar o cabelo, restrição alimentar ou sinais depressivos, o cuidado emocional deve entrar no protocolo.
A queda de cabelo em adolescentes precisa de um olhar diferente. Nessa fase, o corpo está atravessando uma transição hormonal intensa, a pele costuma produzir mais oleosidade, a acne é frequente, os hábitos alimentares mudam, a rotina de sono fica irregular e a pressão estética pode aumentar muito.
Por isso, quando um adolescente começa a perder cabelo, o dermatologista não investiga apenas “queda”. Ele tenta entender o contexto: puberdade, ciclo menstrual, acne, medicamentos, dietas, academia, penteados, saúde mental, química capilar e histórico familiar.
Essa visão é importante porque a mesma queixa — “meu cabelo está caindo” — pode ter origens completamente diferentes em um menino de 13 anos, uma menina de 16 ou um jovem de 19.
Em meninas adolescentes, a queda de cabelo pode vir acompanhada de acne persistente, aumento de oleosidade, ciclos menstruais irregulares e crescimento de pelos em áreas como queixo, abdômen, tórax ou região lombar.
Quando esses sinais aparecem juntos, o médico pode investigar hiperandrogenismo e síndrome dos ovários policísticos, conhecida como SOP. Nesses casos, o problema não é apenas estético. Os andrógenos podem influenciar glândulas sebáceas, acne, distribuição de pelos e miniaturização dos fios em pessoas predispostas.
O padrão de queda costuma ser mais silencioso do que assustador: a risca do cabelo começa a alargar, o couro cabeludo aparece mais no topo da cabeça, o rabo de cavalo fica mais fino e os fios parecem perder diâmetro.
É importante dizer que nem toda adolescente com acne tem SOP e nem toda irregularidade menstrual nos primeiros anos após a primeira menstruação significa doença. Mas, quando acne intensa, ciclos muito irregulares, pelos excessivos e rarefação capilar aparecem juntos, vale investigar.
A adolescência é a fase em que muitos jovens começam tratamentos para acne. Alguns usam antibióticos, anticoncepcionais, espironolactona ou isotretinoína, dependendo do caso e da orientação médica.
A isotretinoína, muito usada para acne grave, pode estar associada a queda ou afinamento em parte dos pacientes. Isso não significa que ela deva ser evitada quando é bem indicada; em muitos casos, ela transforma a qualidade de vida de adolescentes com acne nodulocística, dor, cicatrizes e impacto emocional.
O ponto é outro: se a queda começou depois de iniciar ou aumentar a dose de um tratamento para acne, essa informação precisa entrar na linha do tempo. O dermatologista pode avaliar se há relação com o medicamento, com dieta, com estresse, com deficiência nutricional ou com predisposição à alopecia androgenética.
O adolescente não deve suspender isotretinoína, anticoncepcional ou qualquer medicamento por conta própria. O risco de piorar acne, saúde hormonal ou saúde mental pode ser maior do que o benefício.
Na adolescência, a queda de cabelo também pode ser uma pista de restrição alimentar. Dietas muito rígidas, jejum prolongado, baixa ingestão de proteína, exclusão de grupos alimentares, emagrecimento rápido, uso de laxantes, compulsões, vômitos ou treino excessivo podem afetar diretamente o ciclo capilar.
O cabelo é um tecido de alta renovação. Quando o corpo percebe escassez de energia ou nutrientes, ele prioriza funções vitais. O folículo piloso pode entrar em modo de economia, reduzindo crescimento e empurrando mais fios para a fase de queda.
Um detalhe pouco comentado é que alguns transtornos alimentares podem causar dois sinais aparentemente opostos: queda de cabelo no couro cabeludo e aparecimento de pelos finos no corpo, chamados lanugo, como resposta do organismo à perda de gordura e à tentativa de conservar calor.
Por isso, queda capilar em adolescente não deve ser avaliada apenas com shampoo e vitamina. É preciso perguntar, com cuidado e sem julgamento, se houve mudança alimentar, medo intenso de engordar, perda de peso, alteração menstrual, tontura, cansaço, compulsão por exercício ou distorção da imagem corporal.
Em adolescentes mais próximos da idade adulta, especialmente meninos, a busca por ganho de massa muscular pode trazer outro risco: uso inadequado de anabolizantes, testosterona, pró-hormonais ou “suplementos” de origem duvidosa.
Quando há predisposição genética à alopecia androgenética, aumentar a exposição androgênica pode acelerar a miniaturização dos folículos. Nesses casos, o fio não apenas cai: ele nasce progressivamente mais fino, curto e frágil, principalmente nas entradas, têmporas e coroa.
Mesmo sem hormônios, treinar muito e comer pouco pode gerar um efeito oposto ao desejado. Se o adolescente faz musculação intensa, dorme mal, reduz carboidratos demais, consome pouca proteína ou perde peso rápido, o corpo pode interpretar isso como estresse metabólico.
A pergunta certa não é apenas “você treina?”. É: como está sua alimentação, seu sono, sua recuperação, seu peso e o que exatamente você está tomando?
A adolescência é também a fase de experimentar aparências novas: cabelo preso, tranças, mega hair, escova, chapinha, descoloração, tintura, progressiva, relaxamento, finalizadores e penteados tensionados.
Nem sempre isso causa queda desde a raiz. Muitas vezes, causa quebra da haste. O adolescente vê muitos fios no chão e pensa que está ficando calvo, mas os fios estão partidos, curtos, irregulares e sem bulbo.
Em outros casos, há alopecia por tração. Rabos de cavalo muito apertados, coques frequentes, tranças tensionadas, alongamentos pesados e penteados mantidos por muitas horas podem inflamar a raiz e gerar rarefação nas bordas, testa e têmporas.
A pista é simples: se o penteado dói, repuxa, dá dor de cabeça ou deixa bolinhas na raiz, ele não é inofensivo. O couro cabeludo não deve doer para o cabelo “ficar bonito”.
Alguns adolescentes perdem cabelo porque puxam, torcem ou arrancam fios repetidamente. Isso pode acontecer durante estudo, ansiedade, tédio, uso de telas, tensão familiar, pressão escolar ou momentos de sobrecarga emocional.
A tricotilomania costuma deixar falhas irregulares, com fios quebrados em tamanhos diferentes. Às vezes, o adolescente tenta esconder, nega ou sente vergonha. Por isso, bronca e humilhação tendem a piorar o problema.
O ideal é acolher e investigar. O comportamento pode fazer parte de um transtorno de comportamento repetitivo focado no corpo e pode exigir acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além da avaliação dermatológica.
Aqui, o cabelo é a porta de entrada para uma conversa maior sobre ansiedade, controle, vergonha, tensão e imagem corporal.


Detectar o problema da queda de cabelo em seus estágios iniciais aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz. Aqui estão alguns dos primeiros sinais e sintomas da queda de cabelo na adolescência:
Linha fina recuada (meninos) – A linha fina recuada é uma condição em que você começa a perder cabelo na região das têmporas.
Afinamento na região (meninas) – Com as mulheres, o afinamento do cabelo começa na coroa. Pode não ser muito perceptível inicialmente, mas uma inspeção mais detalhada revelará que seu couro cabeludo está mais visível na área da coroa.
Coceira e escamosa couro cabeludo – Uma coceira e couro cabeludo escamosa e perda de cabelo não estão diretamente relacionados. No entanto, condições como caspa e dermatite seborreica podem causar queda de cabelo.
Crescimento do cabelo fino – Durante os estágios iniciais da queda de cabelo, você notará algum crescimento do cabelo após a queda inicial. No entanto, esse cabelo crescerá muito mais fino e fino, tornando-se gradualmente mais curto também.
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Antes de escolher qualquer produto ou medicamento, é preciso entender o padrão da perda: há falhas arredondadas? O couro cabeludo coça ou descama? A risca está alargando? O cabelo está quebrando? Houve febre, estresse, dieta restritiva, início de remédio, acne intensa ou irregularidade menstrual?
Em muitos casos, o tratamento pode envolver medicamentos tópicos, correção nutricional, mudança de hábitos, tratamento hormonal, cuidado psicológico, controle de inflamações do couro cabeludo ou tecnologias complementares, como a LEDterapia capilar.
A seguir, veja algumas opções que podem fazer parte do tratamento, sempre com orientação profissional.
O minoxidil é um dos medicamentos mais conhecidos para estimular o crescimento capilar. Ele pode ser encontrado em solução, espuma ou, em alguns casos específicos, em formulações orais prescritas pelo médico.
No entanto, em adolescentes, especialmente menores de 18 anos, o uso exige cautela. A maioria das bulas de minoxidil tópico não recomenda o uso abaixo dessa idade, e a indicação para pacientes pediátricos não é oficialmente aprovada em muitos países. Isso não significa que o dermatologista nunca possa considerar o medicamento, mas significa que a decisão deve ser individualizada, com avaliação cuidadosa dos riscos, dos benefícios e com acompanhamento próximo.
Em alguns casos de alopecia androgenética, alopecia areata ou outras condições capilares, o minoxidil pode ser usado de forma off-label por dermatologistas experientes. Ainda assim, não deve ser iniciado por conta própria nem tratado como uma solução genérica para toda queda de cabelo na adolescência.
O uso incorreto pode causar irritação no couro cabeludo, coceira, descamação, dermatite de contato, queda inicial temporária, crescimento indesejado de pelos no rosto ou em outras áreas e, em formulações orais, efeitos sistêmicos que exigem atenção médica.
Além disso, o minoxidil não trata a causa de base quando a queda está ligada a micose do couro cabeludo, deficiência nutricional, tireoide descompensada, tricotilomania, alopecia por tração, uso de medicamentos, SOP ou dieta restritiva. Nesses casos, ele só faz sentido se o dermatologista entender que há benefício como parte de um plano mais amplo.
Quando a queda é causada por micose do couro cabeludo, o tratamento costuma exigir antifúngicos orais prescritos pelo médico.
Isso acontece porque o fungo pode atingir o fio e o folículo. Por esse motivo, shampoos antifúngicos podem ajudar a reduzir a transmissão e controlar a descamação, mas geralmente não resolvem o quadro sozinhos.
Os sinais que levantam essa suspeita incluem falhas com descamação, coceira, vermelhidão, fios quebrados, “pontinhos pretos” no couro cabeludo e, em alguns casos, gânglios aumentados na nuca ou atrás das orelhas.
Nesses casos, LEDterapia, minoxidil ou tônicos não devem ser usados como primeira resposta. A prioridade é tratar a infecção.
Na alopecia areata, a queda ocorre porque o sistema imunológico ataca estruturas do folículo piloso. O padrão mais comum é o surgimento de falhas arredondadas, lisas e bem delimitadas no couro cabeludo, embora sobrancelhas, cílios e outras áreas também possam ser afetadas.
O tratamento pode incluir corticosteroides tópicos, infiltrações em casos selecionados, antralina, imunoterapia de contato e outras estratégias dermatológicas. A escolha depende da idade do adolescente, extensão da perda, tempo de evolução, impacto emocional e segurança do tratamento.
Em casos graves e específicos, medicamentos imunomoduladores mais recentes, como inibidores de JAK, podem ser considerados por especialistas. Alguns deles já têm aprovação em determinados países para alopecia areata grave em adolescentes a partir de faixas etárias específicas, mas exigem avaliação rigorosa, exames, acompanhamento e atenção a riscos.
Ou seja: alopecia areata em adolescente não deve ser tratada como uma simples queda comum. Ela precisa de diagnóstico e acompanhamento.
Em meninas adolescentes, queda de cabelo associada à acne persistente, à oleosidade excessiva, à irregularidade menstrual e ao aumento de pelos em áreas como queixo, abdômen ou tórax pode sugerir hiperandrogenismo ou síndrome dos ovários policísticos.
Nesses casos, o tratamento pode envolver contraceptivos hormonais combinados, espironolactona ou outras abordagens hormonais, sempre com ginecologista, endocrinologista e dermatologista.
A decisão precisa ser individualizada, porque nem todo anticoncepcional tem o mesmo efeito sobre pele e cabelo. Alguns podem ajudar a reduzir sinais de excesso androgênico; outros podem não ser ideais para adolescentes com tendência à queda, dependendo do perfil hormonal e do histórico clínico.
Também é importante lembrar que iniciar, trocar ou suspender anticoncepcionais pode, em algumas pessoas, provocar queda temporária por mudança hormonal. Por isso, monitorar é fundamental.
Suplementos podem ajudar quando existe deficiência real ou forte suspeita clínica. Ferro, vitamina D, zinco, vitamina B12, proteínas e outros nutrientes participam do metabolismo capilar.
Mas suplementar sem necessidade não é uma boa estratégia. Excesso de vitaminas e minerais também pode prejudicar o cabelo e causar outros efeitos indesejados.
Em adolescentes, isso merece ainda mais cuidado, porque dietas restritivas, transtornos alimentares, vegetarianismo sem planejamento, treino intenso, baixa ingestão proteica e emagrecimento rápido podem estar por trás da queda.
O ideal é avaliar alimentação, sintomas, exames e histórico antes de iniciar suplementos.
Quando a queda acontece porque o adolescente puxa, torce ou arranca os próprios fios, o tratamento não é apenas capilar.
A tricotilomania pode estar ligada a ansiedade, tensão, vergonha, tédio, dificuldade de autorregulação ou sofrimento emocional. Muitas vezes, o adolescente não percebe o comportamento ou tenta esconder por constrangimento.
Nesses casos, broncas e punições tendem a piorar a situação. O cuidado pode envolver dermatologista, psicólogo, psiquiatra infantil ou equipe multidisciplinar.
O objetivo não é só fazer o cabelo crescer novamente, mas ajudar o adolescente a entender e tratar o comportamento que está causando as falhas.
Quando a queda é causada por tração, o principal tratamento é tirar a tensão da raiz.
Rabos de cavalo muito apertados, tranças tensionadas, coques frequentes, extensões pesadas, presilhas fortes e penteados que repuxam o couro cabeludo podem causar inflamação e queda nas bordas do cabelo, testa e têmporas.
No início, a mudança de hábito pode permitir recuperação. Mas, se a tração continuar por muito tempo, existe risco de dano mais duradouro ao folículo.
A regra prática é simples: penteado não deve doer, repuxar nem provocar bolinhas na raiz. Se dói, está tensionando demais.
Nem toda perda percebida pelo adolescente é queda desde a raiz. Em muitos casos, o cabelo só está quebrando.
Descoloração, progressiva, tinturas, chapinha, escova frequente, relaxamentos e incompatibilidades químicas podem fragilizar a haste capilar. O fio parte em pedaços curtos, com tamanhos diferentes, dando a impressão de queda intensa.
Quando há quebra, o tratamento envolve pausa nas agressões, reconstrução da fibra, redução de calor, corte de pontas muito danificadas e rotina capilar mais gentil.
Minoxidil e terapias de crescimento não resolvem uma haste destruída se a agressão continuar.
A LEDterapia capilar, também chamada de fotobiomodulação capilar, pode ser considerada como recurso adjuvante em alguns protocolos para adolescentes, especialmente quando há afinamento, queda persistente, perda de densidade ou necessidade de suporte ao ambiente folicular.
A luz vermelha e/ou infravermelha pode atuar em vias relacionadas à mitocôndria, ao metabolismo energético, à microcirculação, ao equilíbrio oxidativo e à modulação inflamatória.
Mas a LEDterapia não deve substituir o tratamento da causa principal. Se houver micose, é preciso tratar a infecção. Se houver SOP ou hiperandrogenismo, é preciso investigar o eixo hormonal. Se houver deficiência nutricional, é preciso corrigir a base. Se houver tricotilomania, o cuidado emocional é indispensável. Se houver tração, o penteado precisa mudar.
Em adolescentes, o uso deve respeitar idade, diagnóstico, orientação profissional, conforto, tamanho adequado do dispositivo e segurança da pele do couro cabeludo.
A queda de cabelo na adolescência pode ter muitas causas — e cada uma exige uma estratégia diferente.
Por isso, antes de iniciar minoxidil, suplementos, anticoncepcionais, fórmulas manipuladas ou qualquer outro tratamento, o ideal é entender o padrão da queda e investigar os gatilhos.
O tratamento pode ser simples em alguns casos e mais complexo em outros. Mas, quando a causa é identificada cedo, as chances de controlar a queda, recuperar densidade e preservar a autoestima do adolescente são muito maiores.
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1 Comentário
Excelente texto e muito esclarecedor.